segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Heroínas
Todos os olhares nela
Olhares indignados e horrorizados
Ela era apenas mais uma criança problema
No berço da sociedade
A frasqueira vazia na mão
E no peito o frio no coração
Os olhos vermelhos e lacrimejando
Mais uma vez é um bebê chorando
Se arrasta pela sujeira das calçadas
Vomita na escada da igreja
Mais uma vez é chutada
E sente que este é o seu fim
Mas o garoto brincalhão lá de cima
Decide rir do seu fantoche cético
E mais uma vez ela sobrevive
Quando preferia morrer só
Por isso a chamavam de louca
Não tinha medo de morrer
Sabia que se sua vida acabasse
A de quem à amava começaria
Mas o prazer e as sensações como sempre fazem falta
E mais uma vez ela se arrasta implorando por mais uma grana
Seu jovem corpo, magro, abusado e sujo paga caro
E ela consegue o que quer, mais uma picada
Naquela noite, sua saúde mental estava afetada novamente
E ela sente como se todo o sangue do seu corpo estivesse indo embora
A cabeça cansada e pesada
Já não sabia mais se existia, já não queria mais existir
Mas a ironia vem à tona
E ela vira a heroína dos junkies
O retrato de várias tribos e
A mãe de uma geração toda
Quando acorda e se olha no espelho, cada dia mais feia e velha
Vê que está acabando aos poucos e
Reza pra virar um personagem de uma história em quadrinhos
Uma eterna heroína do underground, sempre viva em tinta e seda
- Hey me fuma num baseado?
sábado, 29 de novembro de 2008
Conto EGOtico
A noite escorria como sempre para os que estavam alíenados aquele calor, mas pra ela tudo era intenso. Passou a viagem toda ouvindo Mutantes e Júpiter Maçã só pra tentar sentir o cheiro dele.
Quando desceu na rodoviária seus olhos cruzaram a terra e pararam no garoto de calça colada e cachecol preto.
Seus olhos diziam que sim e seu corpo implorava em movimentos sórdidos que ele se deitasse e se deleitasse com ela.
Uma primeira aproximação, o rosto ruborizado enquanto lembrava tudo que aquele garoto ja tinha dito à ela, um primeiro toque, as mãos no rosto dele, os dedos deslizando sobre os lábios, ele deu uma mordida de leve que deixou ela pingando de prazer. Um sorriso indicou pra ele o próximo passo. A mão na cintura dela e os lábios que passavam da boca para o resto do rosto, os andantes olhavam horrorizados aquelas figuras sob a luz da lua.
O hotelzinho barato ficava perto mas a demora foi grande. Paravam à todo momento pra antecipar o prazer. Ele apertava ela contra a parede, suas mãos desciam pelas costas, paravam no quadril, ela aproveitando da sua altura pra escapar dos beijos, mas logo se entregava. A forma como ela a apertava indicava o desejo que ele sentia por ela. As mãos tremiam a cada toque e ela ja gemia e suspirava de calor. As escadas do hotel eram como o caminho para o inferno onde duas almas esperavam se perder juntas.
Era inverno e a neblina marcava as vidraças, ou seriam seus suspiros. As roupas sairam fácil e os corpos se revelaram cheios de paixão. O clima que antes era sublime tinha se transformado, o ar ficou mais pesado, a lua iluminava os quadris da garota, sua cintura fina, seus cabelos nas costas, embaixo dela o garoto, menor, mais novo e cheio de experiência.
Os sons saíam das bocas, o barulho dos corpos se chocando em várias velocidades, o suspiro mais alto dele, o gemido mais forte dela e o cansaço indicou o fim. Deitados, acenderam o primeiro cigarro, o copo de vinho foi derrubado sobre os seios dela, ele mordia aquele pedaço de metal invasor e o cigarro foi deixado de lado. A língua dele percorreu cada centímetro daquele corpo e estavam de novo naquele movimento histérico de ir e vir.
Mais um cigarro e outro e outro como uma contagem de quantas vezes faziam amor. A lua se foi e o calor do sol esquentava os dois na cama, o lençol entre os corpos, ela de bruços sentindo o peso dele nas costas.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Dezesseis de Maio
Hoje as marcas do pungente estão estampadas em meu semblante
As cicatrizes do lancinante tomam conta do meu ser
O ápice do consternado se apresenta a vós
Na forma intrépida do meu lamento
Temia o chegar deste dia, que tanto me traz à mente
Com uma correnteza de abalos
Do golpe dessa circunstância
Desse penar que não cessa
Então brado aos ateus, céticos e devotos
Maria Madalena, Eva, Joana D'arc, Frida Kahlo, Simone de Beauvoir
Todas simplórias perto dos teus inúmeros triunfos e trunfos
Minha mulher prodígio, minha prometida, minha energia
Então te vi desaparecer
Perdeu-se na moléstia
Vi tua vivacidade se esvaindo
E ouvi teu último lamento
Andei pelo mundo à procura de esperança
Pra te eternizar na minha humanidade
Preciso da tua doçura de volta
Te concebo agora eu, no ventre dos meu versos, Mãe.
*Dor Alheia*
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Hermano
Você não me conhecia e eu sabia tudo sobre você
A inacessível , a resolvida, a mulher do caralho
Chegava em cima da tua moto e espalhava migalhas de beleza
Que eu catava com carinho
E tudo que você pedia eu fazia
As insanidades pelo prazer
As jogatinas pelo dinheiro
Mataria por ti, ingrata
Meu coração era uma fonte de mel Por onde você andou com seus passos largos E derrubou toda a tua falta de afeto e ilusão de ótica Daquele teu olhar que me derretia Eu era anestesiado pelo teu amor E agora sinto a dor que ultrapassa o natural A dor que se torna um vício O vício pela droga que é te amar As pessoas vão e voltam Algumas nunca voltam Outras nunca saem do teu lado Mas você se foi ágil e esguia Então, boas almas, Estejam aonde estiverem Sejam o que quiserem ser Mas não usem o que eu uso. *Te amo, e sempre vou estar aqui pra ti!*
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Pronomes
Eu agrado teu paladar com meu sabor
Tu me prova todos os dias com volúpia e
Ela se satisfaz com teu fervor
Nós reconhecemos essa emoção
Vocês delicados gulosos
Elas perigosa luxúria
*************
Eu ouvi nossa música
Tu cantando tão distante
Ela me mata de vontade de você
Nós nos rendemos ao desejo
Vocês ladinos apetitosos
Elas deleite explícito
*************
Eu soluço por sua causa
Tu não me acalma mais
Ela dissipou a última névoa do nosso desvelo
Nós nos perdemos no caminho da traição
Vocês me trouxeram as mazelas da vida e
Elas deformaram meus modos
*************
Eu perdi os sentidos, não vejo tua cor , não sinto teu cheiro
Tu abreviou meu vocabulário de palavras lindas
Ela maculou meu sentimento
Nós perdemos nossas horas de pecado
Vocês deixaram marcas na minha calçada da fome e
Elas cicatrizaram na minha mente.
*Pra você. Baseado em sua dores reais.
domingo, 9 de novembro de 2008
Vontades
Ontem ouvi sua voz
E meu apetite por você aumentou
Eu não sei tua história
Eu não ouço tuas reclamações
Mas meu alimento é o seu amor
Não tenho tempo para esperar
Preciso matar essa fome
Meu ouvido não te sente
Sua fala não me satisfaz
Quero te ver aqui na cama
Para ler teus lábios
Com palavras pequenas, quase gemidos
Por que eu nasci pra esse teu amor
E prometo te fazer sorrir e dormir ao meu lado
Me leva pra casa?
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Diálogo
Me sinto mortificado por dentro
Ela molestou o meu jardim de paixões
Não consigo achar uma saída
Não consigo ver uma solução.
Ninguém disse que vai ser afável
Não é, nem creio que virá a ser
Se apoie, se estique, se preocupe, faça algo
Negligencie seu amor por ela e viva meu garoto.
Depois dela a vida escoa por entre meus dedos
E todos os clichês da tristeza tomam conta da minha semi-vida
Eu fui infantil e infeliz na minha decisão
Eu realmente achei que ela queria ser minha pequena.
Seu erro mora em suas palavras
Elas nunca querem ser vossas pequenas
Elas querem ser o maior dos teus problemas
E como é visto, sempre conseguem o que anseiam.
Continuo sem ter a resposta
Continuo me sentindo em mil pedaços
Pedaços de amor e carinho, entregues apenas a ela
Que os soprou da palma da mão como pequenos papelzinhos.
Tempo
É a resposta para a tua dor
E é um pouco mais lastimoso que ela
Porque vai recalcando quando demora à passar.
Morte
Por falência de órgãos
Por falência da alma
Descanse em paz pobre coração.
domingo, 2 de novembro de 2008
Chove lá fora e aqui...
Ontem a lua criava reflexo na chuva e eu contemplava meu oceano.
Queria correr o risco de atravessar aquele horizonte.
Se eu ao menos soubesse que você estaria lá.
Me esperando pra encontrar nas nuvens um encanto diferente.
Me jogo então nesse abismo de sensações.
Pendurada apenas pelo cordão cardíaco.
Subnutrido, doente e frágil.
Arruinado pelas consternações de ego que você produz.
Cobiço sua companhia todos os dias.
Cobiço uma porção de você.
Mas você é mais uma alma pedante.
Fracassada na trama da devoção.
E eu permaneço aqui suspensa no ar revolto.
Desse enlaçamento que nunca existiu.
Dessa coisa toda onde apenas um se rendeu.
Desse algo embaçado e pálido que você teve pavor de fitar. sábado, 1 de novembro de 2008
Madera
O garoto maravilhoso me diz pra tentar
E o que ele diz sempre soa bem
Até quando diz aquelas coisas que me fazem retorcer
Tudo soa bem
Não que eu seja pudica nem nada
Mas ele tem aquela língua afiada
Que percorre meu corpo no sonho
Aquele sonho dum amanhã
Aquele amanhã que é um sonho
Mas essa noite tudo soa tão bem.
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