domingo, 25 de janeiro de 2009
Prazer Egoísta
Usa-me meu pequeno poeta
Nessa noite me entrego a você
Tuas mãos delicadas me tocarão
Duramente me tirando da sanidade
Fui toda tua , tua rosa mais linda
Teu jardim de paixões de beleza infinita
Estivemos juntos à deriva
De infinitas sedas, fios de cabelo e suspiros
Agora me lembro de ti
Das nossas afinidades
Do teu gosto único
Do teu calor que me arrepia os poros
No quarto, na cama , no lençol de cetim vermelho
Defaso meu íntimo quando me lembro dos nossos embates violentos
Com a calçinha nas canelas e os dedos que passeiam sobre o corpo
Passando pelas curvas que já foram tuas
Me contorço então com os toques que ficam mais fortes
Com os gemidos que ficam mais altos
Com o calor gigante que me faz explodir
Em orgasmos delirantes e barulhentos
Me levanto nua e caminho pela luz da lua
Me vejo no espelho, dos ombros para baixo, como uma pintura
Suspirando fortemente, morta de sede, querendo te tomar
Mas é a garrafa de vinho que acaba invadindo minha boca
Uma noite de prazer egoísta e insatisfatório
Cheia de toques, de tapas sozinhos, das mãos puxando os próprios cabelos
De um banho solitário com os seios nos ladrilhos gelados
E as mãos inquietas mais uma vez me fazendo suspirar
Aplacada pelos próprios toques de mulher tigresa
De unhas afiadas que quase machucam a carne
Dos dentes que maltratam os próprios ombros
Me jogando semi nua pelas paredes
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Artigo Definido Pessoal
As unhas com o esmalte vermelho gasto indicam o cansaço de ser mulher, o cabelo desarrumado da o tom de uma sensual displicente que acabou de pular o muro do colégio. A calça azul rasgada no joelho, o tênis sujo e a flanela larga, aquele cenário todo, causa nos transeuntes uma única conclusão, o mundo está perdido, tomado por homossexuais drogados, nem contra os tabus de sempre ela tem forças pra lutar.
Caminha sem rumo no sol fraco do fim de tarde, fumando sem parar com as mãos trêmulas. Dentro da bolsa três cartelas de inibidores de apetite e uma frasqueira pela metade, pelo cheiro deve ser vodka. No bolso da camisa um envelope surrado, como se os olhos fossem destruindo o papel na hora da leitura ou seria da loucura?
Quando anoitece começa a sentir a brisa mais fria , no primeiro dia do ano queria que fosse seu último. Dar fim ao sofrimento parecia um sonho.
No jornal do dia seguinte a triste história da sua vida se resume numa manchete de jornal e em alguns comentários hipócritas, assim como nenhum deles à ajudou em vida, agora jorravam hipocrisia pelas bocas banguelas de assalariados mal-comidos e pagos.
E a exposição e atenção que ela pedia em vida aconteceu no seu pós-morte:
" Faleceu na noite de ontem , por overdose de álcool somado a anfetaminas, uma garota de aparentemente 17 anos, sem identificação. No bolso uma carta datada de 1993 , aparentemente de sua verdadeira mãe, um sincero pedido de desculpas e um apelo por companhia no seu então leito de morte. A carta é antiga mas os peritos dizem que foi aberta recentemente. Na mão um bilhete de suicídio deixado em forma de poema. Segue abaixo o relato das linhas escritas por mais essa pequena e pobre alma .
Eu já não me sinto tão fraca, E já não me importo mais Com mentes que me desmentem Que dizem que não sou capaz Hoje em minha face Traços revolucionários levo E já não mais sinto a brisa fria do abismo De repressão e tristeza Tuas armas postas sobre a mesa
Agora livre e eterna."
Assinar:
Postagens (Atom)
