segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rain Man.

É incrível como alguns dias parecem outros. Hoje por exemplo, hoje é o dia do pecado, o dia dos exageros doloridos, de lugares comuns martelando no cérebro, o dia depois de um insano fim de semana, regado a cachaça, coma alcoólica, longas esperas, longos pesares, confusões. Engraçado como o amor conseguiu sobreviver nessa selva. Hoje deveria, pois, ser apenas aquela segunda feira cansativa. Período. Não é. A chuva tem regado as plantações de concreto a dias. O clima é tenso, de preocupação, destruição e coisas do gênero. Mas em meio a tanto desespero, consigo me desligar, e o dia que sinto hoje é tal: Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008. Chuva rala no meio da tarde. A cidade toda fazendo a dança do sol pra poder usar as roupas leves e claras no natal e ano novo. Minha roupa diz pouco de mim, diz mais sobre as coxas que deixarei descobertas. O dia passa preguiçoso, se arrasta, a chuva pára e fica a brisa fria. Todos alegres e animados. Nessas datas de fim de ano todos têm um tempo pra mandar tudo se aquecer no inferno, esquece dos problemas, a dívida no banco, no colégio, na faculdade, no cartão, e simplesmente, trocar presentes e abraços, risadas regadas por aquele espumante barato com sabor de maçã. E bate, como sempre, aquela emoção ridícula, saída diretamente de um pastelão americano, de “Adeus ano velho, feliz ano novo”. Mais quilos a serem perdidos, mais amores a serem caçados, mais metas, mais mentiras. E nesse meio todo, me falta o garoto, dos olhos enormes e cabelo baixo, do gosto musical um tanto quanto duvidoso e do RayBan. Prometo achá-lo nesse ano, não cessar as buscas até encontrá-lo, guarda marinha, aeronáutica, bope, que diabos for, eu chamarei nessa minha grande empreitada. E visualizo: Eis que o conheço. Duas vezes no mesmo ano. Duas pessoas distintas, mais iguais. Duas pessoas pisando nas mesmas terras. O que fazer daí? A injustiça do duvidoso, a simplicidade do certo, a ausência de ambos? Qual corpo desejar, qual voz ouvir, qual texto ler? As dúvidas corroem a alma dessa pobre que vos fala. Mas de qualquer maneira, vou esperar chegar o novo ano. I'm back in the game.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O poema frio da história inexistente

Minha casa
Minhas coisas
Meu mundo
Acaba sempre vazio sem você ao meu lado
A bebida e as musicas
O luau e o acústico
Nada parece romântico nem bonito
Sem você aqui comigo
Os círculos da vida continuam rodando
Mas não sinto o prazer de viver
Não sinto a vida em mim
Você se foi sem aviso prévio
Nosso carinho demorou a chegar meu bem
Mas quando chegou bateu na alma
Os acordes precediam nossa união
Aquela que nem o sangue adivinhou
Nós dois nas noites afora
Com os drinks nas mãos
Com as confissões na ponta da língua
E a entrega doce das afinidades escondidas
Olho para o céu na esperança de ver teu rosto
Teu sorriso escondido entre as nuvens
Tua risada engraçada entre os motores
Teu cheiro característico entre as flores
Tudo bem se eu te chamar de meu?
Meu cara, cara querido
Que me cuida, que me ama, que me mostra
Me mostra o que eu posso ver
Se eu te perguntar se você quer me segurar na noite fria
Na noite escura que nos alucina
Você me diz que me cuida
Sorriremos juntos como sempre?
São as coisas que me acontecem quando lembro de ti
Quando ouço teu nome com calor
Quando vejo nossas fotos juntas
Mal posso esperar pra te ver de novo
Tenho que te encontrar nessa madrugada infinita
O que tento dizer é que quando lembro de você minha mente gira
Gira ao teu redor, ao redor do que sobrou de você
As lembranças de bons e não tão velhos tempos
Você merecia mais
Mais do que meras lembranças
Mas hoje meu bem
É tudo que posso te dar
Quando nos encontrarmos de novo
Prometo te contar aquele caso engraçado
Só pra ouvir a quentura da tua risada do meu lado
E teu hálito quente nos meus ombros
Se isso durasse pra sempre ainda não seria o bastante
Porque o pra sempre tende a acabar
E ficar contigo não pode acabar nunca
Porque você me faz feliz
Sinto falta de ter tempo pra escrever.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Oque é, oque é?

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonitaE é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão

Hê! Hô!...E a vida

Ela é maravilha

Ou é sofrimento?

Ela é alegria

Ou lamento?

O que é? O que é?

Meu irmão...

Há quem fale

Que a vida da gente

É um nada no mundo

É uma gota, é um tempo

Que nem dá um segundo...

Há quem fale

Que é um divino

Mistério profundo

É o sopro do criador

Numa atitude repleta de amor...

Você diz que é luxo e prazer

Ele diz que a vida é viver

Ela diz que melhor é morrer

Pois amada não éE o verbo é sofrer...

Eu só sei que confio na moça

E na moça eu ponho a força da fé

Somos nós que fazemos a vida

Como der, ou puder, ou quiser...

Sempre desejada

Por mais que esteja errada

Ninguém quer a morte

Só saúde e sorte...

E a pergunta roda

E a cabeça agita

Eu fico com a pureza

Da resposta das crianças

É a vida, é bonita

E é bonita...

É tudo isso!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Prazer Egoísta

Usa-me meu pequeno poeta
Nessa noite me entrego a você
Tuas mãos delicadas me tocarão
Duramente me tirando da sanidade
Fui toda tua , tua rosa mais linda
Teu jardim de paixões de beleza infinita
Estivemos juntos à deriva
De infinitas sedas, fios de cabelo e suspiros
Agora me lembro de ti
Das nossas afinidades
Do teu gosto único
Do teu calor que me arrepia os poros
No quarto, na cama , no lençol de cetim vermelho
Defaso meu íntimo quando me lembro dos nossos embates violentos
Com a calçinha nas canelas e os dedos que passeiam sobre o corpo
Passando pelas curvas que foram tuas
Me contorço então com os toques que ficam mais fortes
Com os gemidos que ficam mais altos
Com o calor gigante que me faz explodir
Em orgasmos delirantes e barulhentos
Me levanto nua e caminho pela luz da lua
Me vejo no espelho, dos ombros para baixo, como uma pintura
Suspirando fortemente, morta de sede, querendo te tomar
Mas é a garrafa de vinho que acaba invadindo minha boca
Uma noite de prazer egoísta e insatisfatório
Cheia de toques, de tapas sozinhos, das mãos puxando os próprios cabelos
De um banho solitário com os seios nos ladrilhos gelados
E as mãos inquietas mais uma vez me fazendo suspirar
Aplacada pelos próprios toques de mulher tigresa
De unhas afiadas que quase machucam a carne
Dos dentes que maltratam os próprios ombros
Me jogando semi nua pelas paredes

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Artigo Definido Pessoal

As unhas com o esmalte vermelho gasto indicam o cansaço de ser mulher, o cabelo desarrumado da o tom de uma sensual displicente que acabou de pular o muro do colégio. A calça azul rasgada no joelho, o tênis sujo e a flanela larga, aquele cenário todo, causa nos transeuntes uma única conclusão, o mundo está perdido, tomado por homossexuais drogados, nem contra os tabus de sempre ela tem forças pra lutar.
Caminha sem rumo no sol fraco do fim de tarde, fumando sem parar com as mãos trêmulas. Dentro da bolsa três cartelas de inibidores de apetite e uma frasqueira pela metade, pelo cheiro deve ser vodka. No bolso da camisa um envelope surrado, como se os olhos fossem destruindo o papel na hora da leitura ou seria da loucura?
Quando anoitece começa a sentir a brisa mais fria , no primeiro dia do ano queria que fosse seu último. Dar fim ao sofrimento parecia um sonho. No jornal do dia seguinte a triste história da sua vida se resume numa manchete de jornal e em alguns comentários hipócritas, assim como nenhum deles à ajudou em vida, agora jorravam hipocrisia pelas bocas banguelas de assalariados mal-comidos e pagos.
E a exposição e atenção que ela pedia em vida aconteceu no seu pós-morte: " Faleceu na noite de ontem , por overdose de álcool somado a anfetaminas, uma garota de aparentemente 17 anos, sem identificação. No bolso uma carta datada de 1993 , aparentemente de sua verdadeira mãe, um sincero pedido de desculpas e um apelo por companhia no seu então leito de morte. A carta é antiga mas os peritos dizem que foi aberta recentemente. Na mão um bilhete de suicídio deixado em forma de poema. Segue abaixo o relato das linhas escritas por mais essa pequena e pobre alma .
Eu já não me sinto tão fraca,
E já não me importo mais
Com mentes que me desmentem
Que dizem que não sou capaz
Hoje em minha face
Traços revolucionários levo
E já não mais sinto a brisa fria do abismo
De repressão e tristeza
Tuas armas postas sobre a mesa
Agora livre e eterna."