segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Heroínas
Todos os olhares nela
Olhares indignados e horrorizados
Ela era apenas mais uma criança problema
No berço da sociedade
A frasqueira vazia na mão
E no peito o frio no coração
Os olhos vermelhos e lacrimejando
Mais uma vez é um bebê chorando
Se arrasta pela sujeira das calçadas
Vomita na escada da igreja
Mais uma vez é chutada
E sente que este é o seu fim
Mas o garoto brincalhão lá de cima
Decide rir do seu fantoche cético
E mais uma vez ela sobrevive
Quando preferia morrer só
Por isso a chamavam de louca
Não tinha medo de morrer
Sabia que se sua vida acabasse
A de quem à amava começaria
Mas o prazer e as sensações como sempre fazem falta
E mais uma vez ela se arrasta implorando por mais uma grana
Seu jovem corpo, magro, abusado e sujo paga caro
E ela consegue o que quer, mais uma picada
Naquela noite, sua saúde mental estava afetada novamente
E ela sente como se todo o sangue do seu corpo estivesse indo embora
A cabeça cansada e pesada
Já não sabia mais se existia, já não queria mais existir
Mas a ironia vem à tona
E ela vira a heroína dos junkies
O retrato de várias tribos e
A mãe de uma geração toda
Quando acorda e se olha no espelho, cada dia mais feia e velha
Vê que está acabando aos poucos e
Reza pra virar um personagem de uma história em quadrinhos
Uma eterna heroína do underground, sempre viva em tinta e seda
- Hey me fuma num baseado?
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